Perdi um amigo

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Não venho aqui há uns dias, tirei uma espécie de ‘miniférias da Páscoa’ e contava regressar em força esta semana. Mas não consigo escrever uma linha, não sobre inspirações, motivações ou ambientes perfeitos. Perdi um amigo. Ontem. Tinha 33 anos e decidiu por termo à vida. Conhecíamo-nos há mais de 15 anos, estudámos juntos, representação, e o seu talento destacou-se desde logo. Tudo o que envolvia ‘beijo técnico’ só fazia com ele, riamo-nos e tínhamos cumplicidade. Mais tarde, foi viver para fora do país, trabalhou, evoluiu, mas… regressou. Depois de um grande hiato sem nos contactarmos voltámos a falar, ficámos de marcar um encontro para matar saudades.

Também o desafiei para fazer a rubrica ‘Um dia com…’. Ele adorou a ideia mas receou não se traduzir num produto final apelativo, respondeu-me: “Neste momento a minha vida nao é assim tão interessante.. Estou entre trabalhos. É aquela fase morta…” Nunca chegou a acontecer. Sinto-me triste, por tudo. Por não termos parado as nossas rotinazinhas secundárias para nos encontrarmos. Por, mesmo distante, não ter percebido que a sua depressão reclamava ajuda. E por analisar, hoje, a sua página de facebook e vislumbrar a preparação de uma despedida. As suas últimas publicações nesta rede social foram: “My Immortal”, dos Evanescence, “Say Something” de Christina Aguilera ou, ainda, a imagem de um cartaz a dizer ‘Is there anybody out there?’ Tão rodeados de amigos e tão solitários que somos. Fui hoje ao velório e foi duro. Os seus últimos trabalhos foram a telenovela Rosa de Fogo e Doida por ti. Chamava-se Pedro Cunha. Descansa em paz.

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1 Comment

  • R.

    May 03, 05 2014 12:00:00

    Ele gostava de ti. Gostava, mesmo. Isto que escreveste… Foi bom, foi… Real.

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