PAULO JUNQUEIRO – O homem forte da música nacional

É ambicioso, tem um X tatuado no ombro e veste-se de branco todas as sextas feiras. Move-se há mais de 30 anos no meio artístico musical e é o presidente da Sony Music em Portugal, (embora se esperem novidades para breve), mas provavelmente só lhe ficou a conhecer o rosto depois de ter sido jurado no programa Factor X. Definitivamente, a Música mora com o produtor mais mediático do momento, na BPM’S deste mês revelamos-lhe de que forma.

A sua entrada informal no apartamento reservado para a nossa produção rapidamente desfez qualquer gelo que pudesse existir pelo facto de (ainda) não nos conhecermos. Calças de ganga, camisa casual e ténis da moda. Ligeiramente diferente do que nos habituámos a ver na televisão. Mas uma coisa não mudara, e denunciava-o aqui como em qualquer outra parte do mundo. A voz. Característica e inconfundível. Diz que não gosta de se ouvir. Que a primeira vez que se escutou na televisão ficou horrorizado. Talvez por isso achasse que nunca teve jeito para cantar, embora me confessasse que a verdade é que tinha talento para pouca coisa. Sempre adorou música mas faltava-lhe habilidade para tocar. Tentou viola, piano e outros tantos instrumentos… Acabava sempre por desistir.

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Uma coisa o jovem que nasceu em Coimbra e cresceu no Fundão percebeu desde cedo, que a vida “da aldeia” não era para si. Aos sete anos veio viver para Lisboa com a família, filho de um advogado e de uma professora, foi com os dois irmãos que se habitou a ouvir música. O primeiro single que comprou com o seu dinheiro foi Sex Machine, de James Brown, e o primeiro LP, Sticky Fingers, dos Rolling Stones.

A falta de talento para as mais diversas áreas levou-o a conformar-se em seguir o mundo das letras, (mas não a de músicas). Inscreveu-se no curso de Filosofia, e pelo segundo ano, sem ter assistido a uma única aula, chumbou. Sentiu-se injustiçado e desistiu do curso. Sem rumo definido viajou até ao Algarve e foi de lá que recebeu um inesperado telefonema da irmã a dizer que o namorado de uma amiga, que trabalhava num estúdio de gravação ia sair e que precisavam de um assistente. Se ele estaria interessado? Tinha 21 anos e foi o início da mudança. Sem que nada o fizesse prever, o destino encaminhou-o para aquilo que viria a tornar-se na grande paixão da sua vida: a Música.

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No dia em que começou o estágio de assistente de estúdio, o entusiasmo não era grande. Afinal, pouco mais fazia do que arrumar cabos, servir cafés ou montar microfones. ”O que já era muito mais do que eu sabia fazer, pois nem uma lâmpada sabia trocar. Ainda hoje me questiono por que é que me deram aquela oportunidade? A verdade é que apaixonei-me rapidamente por aquilo”, conta.

Mais tarde, aos 25 anos, decidiu procurar trabalho no Brasil. Afinal, não gostava de trabalhar no estúdio de gravação? “Ao início, estar perto dos artistas, e da música era suficiente, mas rapidamente comecei a achar Portugal pequeno para mim. Eu era muito vaidoso e arrogante naquela altura”, confessa.

Foi um folheto que falava do estúdio brasileiro Transamérica, em São Paulo, que lhe despertou a atenção. “Estávamos em 1984, que foi quando o movimento de rock começou no Brasil – cá tinha começado em 80. Achei que podia ser uma boa oportunidade para mim pois eles não sabiam gravar rock.” Enviou-lhes uma carta a pedir emprego e bastou um “Anda, vem” por parte do diretor do estúdio para comprar um bilhete só de ida!

Conseguiu a sua oportunidade em terras de Vera Cruz. Passou por outros estúdios, produziu discos e, em 1986 foi convidado para trabalhar no estúdio ‘Nas Nuvens’, no Rio de Janeiro, cujo um dos sócios era Gilberto Gil, o artista brasileiro que dispensa apresentações. “O Gil sempre foi uma pessoa iluminada e ao trabalhar ali sabia que um dia havia de me cruzar com ele, quando o dia chegou senti que algo mudou. Não sei se pelo meu entusiasmo, ou pela aura dele”, revela Junqueiro. De que forma o influenciou? “No olhar para a música e até a vida. Procurando sempre uma forma de intervenção e de passar uma mensagem. Foi um privilégio trabalhar com ele. Além disso, foi com ele que passei a vestir-me de branco todas as sextas-feiras. É de dia de Iemanjá, a Rainha do Mar, e há a tradição de andar com uma peça de roupa branca colada ao corpo nesse dia.”

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Tem um percurso profissional invejável. Em 1994 foi convidado para ser diretor artístico da Warner Music Brasil e só em 1998 voltou a trabalhar em Portugal, como diretor artístico da EMI Portugal. É também a EMI que o volta a convidar para voltar ao Brasil, em 2007, como diretor artístico e de Marketing. Cargo que desempenhou até 2012 quando regressou a Lisboa para assumir a posição de diretor-geral da Sony Music. Um percurso ascendente onde as suas características pessoais foram, certamente, determinantes. Considera-se ambicioso? “Muito! E tento passar isso para os meus filhos. Gostava que a minha passagem pela vida deixasse alguma marca a acredito que ser responsável por uma editora levando o talento dos artistas mais longe pode ser uma forma de conseguir isso.”

Depois de tantos anos a trabalhar com inúmeras celebridades tem dificuldade em referir com quem teve maior prazer de se cruzar. “Houve tantos que marcaram a minha vida que seria injusto falar apenas de um.” No entanto, exibe uma tatuagem com X no ombro, e não é de Factor X… “Claro que os Xutos e Pontapés são uma das bandas que me marcaram e o Zé Pedro é, inclusive, meu padrinho de casamento.”

Trabalhar ao lado dos melhores artistas também lhe valeu inúmeros prémios. Conta com quase meia centena de discos de ouro, 21 discos de platina, 11 discos multiplatina e o Grammy Award de Melhor Álbum de World Music ganho por Gilberto Gil, com a sua produção.

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Ao fim de uma carreira inteira a mover-se nos bastidores do meio artístico musical, surge um programa que vem mudar tudo. O Factor X tirou-o do anonimato perante o cidadão comum. “Ao início tinha algum receio de ficar com a minha vida exposta. À merce de que uma pessoa me adorasse ou odiasse, por nada. Às vezes dizem-me: «Eu sou seu fã», o que é algo que me faz confusão pois não me conhecem, eu posso ser um cretino! Mas eu não sou uma personagem polemica, portanto a exposição que o programa me trouxe foi benéfica e abriu-me portas, levando o nome da Sony mais longe.”

A última edição do programa deixou-o especialmente orgulhoso por ter vencido com a concorrente Kika. “Foi uma sensação de «Finalmente fez-se justiça!» porque eu considero que já devia de ter ganho na primeira vez, com a Mariana ou o D8. O Berg canta muito bem mas no Factor X andamos a procura de alguém que tenha algo de diferente. O D8, por exemplo, não é um excelente cantor, mas a verdade é que entre os cerca de 40 países do mundo onde passa o programa ele foi o único rapper que chegou a uma final! Neste momento, estamos a trabalhar com a Kika. Já tem um empresário, começa a fazer concertos e estamos a preparar reportório. Com o Factor X conseguimos quebrar o estigma de que isto é só um programa de televisão e depois não se passa mais nada com os artistas”, acrescenta.

Está quase a completar 34 anos de carreira mas não se vai “reformar” por aqui. O que se segue? “Tenho um enorme orgulho de ser diretor-geral da Sony Music Portugal, de trabalhar com uma equipa extraordinária e de termos dado uma volta incrível à empresa que esteve prestes a ser desmontada. Agora, talvez exista a possibilidade de regressar ao Brasil, a posição de presidente da Sony Music Brasil abriu-se e eu sou um forte candidato.”

Não há volta a dar, aqui ou do outro lado do Atlântico, a música mora com o Paulo Junqueiro. “Começando pela quantidade de discos que tenho em casa, já nem tenho espaço para os guardar, passando pelos discos de ouro que acabam por fazer parte da decoração, ao próprio som sempre presente, seja por mim ou pelos meus filhos.” Tirando o gosto pela arte contemporânea não liga à decoração, no entanto, sabe bem como seria a casa dos seus sonhos: “Um loft, ao pé do Castelo de São Jorge, de frente para o Rio. Com muita luz e uma vista incrível de 360 graus (ou, pelo menos, 180), e de preferência com uma sala suficientemente grande para ter uma mesa de snooker.”

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1 Comment

  • Cau Favareto

    June 07, 06 2016 04:39:04

    Boa Noite!
    Sou cantor, compositor, paulistano, estou lançando o CD Muito Prazer. Ele possui canções compostas ao longo da minha vida. A seleção foi feita tendo como eixo condutor a diversidade de experiências, sentimentos e rítmos vividos a qual resulta na formação de um repertório bem eclético. ( Do Rural ao Urbano – MPB / POP), Funk, Reggae, Baladas… Acredito que irão gostar!!!!!!
    Em breve: http://www.caufavareto.com.br
    Posso te adiantar enviando uns links:

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    LYRICS VÍDEOs
    https://youtu.be/lt47uDob9I0
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    https://youtu.be/6jclXrs-QGw

    Por favor de uma olhada.
    Muito Obrigado.

    Atenciosamente,

    Cau Favareto

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