O que deve saber na hora de contratar um arquiteto

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Seremos considerados como “um mal necessário”, como muitos fazem crer? Felizmente, esta noção tem vindo a desaparecer ao longo do tempo e muito graças a nomes como; Álvaro Siza ou Souto de Moura, (ambos galardoados com o prémio Pritzker, galardão máximo da arquitectura que na verdade é como um Nobel nesta área), e cujo reconhecimento além fronteiras acabou por se alastrar ‘cá dentro’, trazendo com isso estatuto para os demais arquitectos nacionais.

Quando pensar em solicitar a colaboração de um arquitecto procure, antes de mais, ver qual é a sua linguagem arquitectónica; a sua experiência e o seu estilo. Tal como faria se estivesse à procura de um médico, por exemplo. Ora, também ao escolher um arquitecto deverá fazer uma pesquisa prévia.

Antes de o procurar também é benéfico que prepare um programa com tudo aquilo que deseja. Isto é, deverá recolher e compilar o maior número possível de ideias, pretensões e intenções, uma vez que, quanto maior for a informação fornecida pelo cliente, maior é a liberdade do arquitecto no momento da criatividade, de dar largas à imaginação, para que possa, assim, ir ao encontro do pretendido, optimizando tudo do ponto de vista funcional e estético.

O que muitas vezes acontece é o cliente ter uma noção do que quer, e precisa, mas depois o arquitecto acaba por fazer uma selecção e filtragem de todas as ideias de modo a que o projecto ganhe maior consistência e funcione como um todo, forte e coeso, em vez de uma ‘manta de retalhos’ com bonitos pormenores que não funcionam como um todo.

Ao arquitecto cabe a tarefa de fazer o projecto, habitualmente dividido por três fases:

A fase do Estudo Prévio; de Licenciamento (quando necessário), e de Execução. Para além, obviamente, das fases de adjudicação, final de obra, (ou telas finais), e da assistência técnica. Atenção: não confundir ‘assistência técnica’ com ‘acompanhamento de obra’ – são coisas bem distintas – A primeira compreende apenas a explicação das peças que compõem o ‘Projecto de Execução’ e o esclarecimento de dúvidas. A segunda prevê a deslocação do arquitecto à obra, ou a respectiva verificação se os pormenores estão a ser cumpridos e os materiais prescritos a serem utilizados correctamente, para citar apenas alguns exemplos.

A primeira fase de todas, a de Estudo Prévio, corresponde à etapa em que o arquitecto reúne toda a informação fornecida pelo cliente e começa a passá-la para o papel, até chegar a uma solução que satisfaça ambas as partes.

A segunda fase avança consoante a necessidade de se apresentar, ou não, um projecto concreto de Licenciamento a alguma entidade. As obras de interiores que não exijam intervenção ao nível de fachada e/ou nível estrutural, estão isentas de licenciamento ou comunicação prévia.

Por fim, no Projecto de Execução é onde se fazem todos os desenhos, gerais e de pormenor, às diferentes escalas, de modo a que a obra seja feita com o máximo rigor e qualidade e, obviamente, de acordo com as regras da boa construção.

Perante isto, acredito que contratar um arquitecto é, sem dúvida, uma mais-valia, e não um ‘mal necessário’. E desenganem-se aqueles que pensam que basta ter boas ideias! Um bom arquitecto, tal como nas restantes profissões, tem de ser honesto, esforçado, trabalhador e, acima de tudo, ser dotado de bom senso.

Autoria: João Tiago Aguiar

Por opção do autor este texto não foi escrito de acordo com o novo acordo ortográfico.

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